É Seguro Viajar à Itália?

Um tempo se falava de máfia, hoje a preocupação é com o terrorismo. Mas outros questionamentos passam pela mente de quem planeja uma viagem, principalmente mulheres sozinhas, como roubo ou estupro. É seguro viajar pela Itália? Para responder à estes questionamentos, não me limito somente à minha experiência pessoal de mais de 7 anos de Itália, mas à uma pesquisa entre jornais, estatísticas do Istat e Eurostat e de análises do sociólogo Marzio Barbagli.

Pisa-exército

Analisando todos os crimes – roubo, assalto, trafico de drogas, homicídio, estupro, sequestro – a Itália viveu o ápice da violência  em 1991 e durante a década de 90. Desde então, todos os gráficos (com exceção do furto em domicílio e batedores-de-carteira) sofreram grande queda, cerca de -2,5% ao ano entre 2000 e 2009 à -3,5% à partir de 2010.

Assaltos e furtos

Na Itália existe muito mais furtos (sem violência ou arma) que assaltos (com violência e armas). Dentro desta categoria, em primeiro lugar o furto em domicílio, seguido de batedores-de-carteira, furto de carro e roubo em lojas. Mais da metade dos crimes são cometidos por estrangeiros. As províncias italianas com maior índice de furtos são: Rimini, Milão, Bolonha, Roma e Ravenna; as com menor índice: Potenza, Oristano, Enna, Isernia e Belunno. Na Toscana: Lucca (7º), Florença (8º) e Pisa (9º). Dados de 2016.

Mapa com número de furto totais em 2016 a cada 100 mil habitantes nas regiões italianas. No gráfico, faixas da esquerda indicam os mesmos números do mapa e da direita o percentual de aumento ou diminuição comparado com 2015.
Mapa com número de furto totais em 2016 a cada 100 mil habitantes nas regiões italianas. No gráfico, faixas da esquerda indicam os mesmos números do mapa e da direita o percentual de aumento ou diminuição comparado com 2015.

Para evitar de passar por esta situação durante a sua viagem, basta estar atento às próprias coisas em lugares muito cheios e confusos, principalmente dentro e ao redor das estações de trem e quando usar transporte público. Homens, usem bolsos da frente, mulheres, usem bolsas com fechamento a zíper. Ao sentar em mesas externas, não deixar bens sobre a mesa. Desconfiar também de pessoas que vem oferecer ou perguntar por informações no meio da rua.

Estupro e violência contra mulheres

Estudos do Istat apontam que uma a cada 3 mulheres com idade entre 16 e 70 anos sofreu na vida violência sexual por parte de um homem. Na Itália, a maior parte dos casos (70%) acontece dentro da própria casa, 17% por conhecidos e somente 6% por desconhecidos.

Porcentagem de mulheres no mundo que sofreram algum tipo de violência sexual pelo parceiro ou desconhecido.
Porcentagem de mulheres no mundo que sofreram algum tipo de violência sexual pelo parceiro ou desconhecido.

Se você é mulher e viaja sozinha, calma. Não precisa de trancar no hotel depois do anoitecer! Basta estar atenta e seguir as recomendações de sempre: andar em ruas iluminadas e movimentadas, ter chaves e celular em mãos, caminhar no sentido oposto aos carros, passo firme e cabeça erguida, passar longe de portas e portões, não usar fones de ouvido, não parar para falar com estranhos. Em algumas farmácias encontramos spray de pimenta para vender a 10 euros, mas  canetas e chaves também podem servir como arma (em último caso). Caso ache que está sendo perseguida, entre em um comércio e ligue para o 112 ou 113.

As áreas mais perigosas das cidades são sempre àquelas ao redor das ferroviárias, rodoviárias e mercados.

Refugiados

No último ano cerca de 150 mil pessoas desembarcaram na Itália. A maioria provém da Nigeria (15%), Gambia (10%), Somalia (9%), Eritrea, Guinea e Costa d’Avorio (8%). Dois terços dos pedidos de asilo político foram negados e os aceitos vivem em estruturas provisórias financiadas pelo governo e administradas por ONGs.

Desembarque de refugiados na Itália nos primeiros 5 meses de 2016 comparados com 2015.
Desembarque de refugiados na Itália nos primeiros 5 meses de 2016 comparados com 2015.

A opinião sobre o recebimento ou não dos refugiados é muito dividida na Itália. Uma pesquisa desenvolvida pela americana Pew Research Center aponta que 6 em cada 10 italianos acham que os refugiados são um perigo para a segurança e um risco de aumento do terrorismo. Para converter esta situação, os imigrantes estão sendo envolvidos em programas sociais, onde são eles a ajudar o próximo.

Terrorismo

Desde o atentado em Paris de Charlie Hebdo, em janeiro de 2015, vemos o exército italiano com armas pesadas vigiando as principais praças da Itália. Monumentos que antes não tinham controle de segurança passaram a ter, e medidas especiais são tomadas para eventos nas cidades, como ano novo e shows. A Itália em 2016 prendeu 85 pessoas e 109 foram expulsas do país por motivo de segurança anti-terrorismo.

Firenze-exército2

Mesmo assim, a vida continua e ninguém deixou de trabalhar ou se divertir por causa do medo, como um tempo atrás o noticiário brasileiro alarmou desnecessariamente o país.

Mafia

O velho problema do crime organizado na Itália ainda não foi extinto por completo. Os principais clãs da Itália (Cosa Nostra, Camorra, ‘Ndranghetta, Sacra Corona Unita) continuam ativos principalmente no Sul (Sicília, Campania, Calabria e Puglia), mas também chegam ao Piemonte e Lombardia, inseridos no mundo da política e dos negócios.

Bens da Máfia confiscados
Bens da Máfia confiscados

São três os órgãos responsáveis em combater a máfia na Itália: a Direzione Investigativa/Nazionale/Distrettuale Antimafia que entre 1992 e 2016 já confiscaram mais de 30 bilhões em propriedades e prenderam  mais de 10 mil pessoas. Nos jornais vemos sempre notícias sobre o desenvolvimento das investigações. A máfia não é um perigo direto para o turista, mas pode ser para os moradores de algumas cidades e indiretamente para todos os italianos.

Caso queiram se aprofundar no assunto, deixo aqui alguns link para reportagens e outras fontes:

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7 comentários

  1. gustavocomentou

    Otima reportagem! Estou de mudanca com familia para Italia mais precisamente em Alba norte regiao de piemonte, espero ter mais seguranca para minha familia, pois no Brasil nao tem condicoes.

    1. Oi, Gustavo! Claro que a Itália ainda não é o país perfeito, mas com certeza não tem nem a metade da violência e da insegurança que sentimos no Brasil… Uma pena que nosso país chegou a esta situação…eu torço para que isso melhore! Abraços, obrigada pela visita e mensagem!

  2. Luisa Maria Fernandescomentou

    Bom dia Babi. Achei muito pertinente você abordar esse tema pois hoje em dia, com tantas notícias sobre a violência , terrorismo, etc… ficamos às vezes inseguros em viajar. Suas orientações para as mulheres que viajam sozinhas são excelentes!!! Viajei várias vezes sozinha e não teria passado alguns sufocos se tivesse recebido antes essas dicas! Muito obrigada!!! Seguirei as suas dicas na próxima viagem… Baci

  3. Suely Demarcocomentou

    Babi muito interessante sua reportagem, estamos planejando passar as férias na Itália este ano e ler a sua matéria me deixou mais tranquila.

  4. Felipecomentou

    Post esclarecedor mesmo parabens.. apesar da polemica dos imigrantes, a Itália é um país seguro, e é para onde quero ir morar. O Brasil está cada vez pior em relação à segurança, não em relação a bandidos pois eles sempre existiram em grande quantidade, mas em relação a policiamento e valorização da classe. Também a infra estrutura está sucateada, infelizmente.. e a população fica a mercê da bandidagem..

  5. Carlocomentou

    Um ótimo post para quem acha que vai chegar na Itália e encontrar um lugar perfeito. Cuidado nunca é demais.
    Estou planejando minha mudança para a Florença no ano que vem, e talvez você possa me responder, como está o mercado de trabalho para cozinheiros? Ainda sou jovem (27 anos), e sei que vou ter que começar de baixo, como é costume na cozinha. Mas esses empregos existem para os estrangeiros em Florença?

  6. Marcelo de Montalvãocomentou

    Muito assertivo e fideidigno, parabéns!