Toscana para Pessoas com Deficiência

Este é um assunto que há muito tempo gostaria de abordar no blog, e não haveria dia melhor para publicar sobre isto que hoje, dia 3 de dezembro, no Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. Este é um tema muito amplo, que abrange diversos tipos de deficiências, como física, auditiva, mental… Não possuo ninguém próximo a mim que se encontre nesta situação, mas no início deste ano tive a experiência de acompanhar uma pessoa com deficiência física por várias cidades da Toscana e pude ver de perto todas as dificuldades cotidianas que se deve enfrentar. Claro que isto não faz de mim uma especialista no assunto, mas depois desta experiência comecei a prestar mais atenção em tudo ao meu redor e como Florença acolhe este turismo especial.

fonte: www.uicifirenze.it
fonte: www.uicifirenze.it

 

Gostaria de dizer que Florença, Toscana e Itália em modo geral estão preparados para receber pessoas com deficiência, mas infelizmente não é bem assim… Embora existam iniciativas e leis que os favoreçam e protejam em diversos modos, acredito que a barreira mais difícil de ser vencida é a arquitetônica, principalmente para deficientes físicos e visuais. Estamos falando de cidades e edifícios muito antigos e protegidos por leis de tombamento que acabam muitas vezes dificultando a adaptação para a completa acessibilidade.
O Bruno é editor da Revista Viagem e Turismo da Abril, e e escreve o blog “PARATODOS”, onde conta suas experiências sob rodas pelo mundo e compartilha dicas para quem viaja com algum tipo de problema de mobilidade. 
Não foi fácil visitar Siena e San Gimignano com cadeira de rodas. Foi necessário muito músculo para empurrar e segurar e muita calma para evitar os desníveis da pavimentação em pedras irregulares que poderiam fazer a cadeira capotar, mas mesmo com todo o cuidado, o susto da queda foi inevitável. Em Siena pudemos contar com um taxi adaptado que nos deixou próximos ao Duomo, facilitando o caminho de volta ao estacionamento em decida. Já em San Gimignano tivemos problemas, pois existem pouquíssimos (cerca de 10) taxistas na cidade (todos super ocupados), e o ônibus circular que passa de vez em nunca estava com a rampa quebrada e com um motorista de pouca vontade em ajudar. Embora todas as adversidades, conseguimos visitar as duas cidades.
Em Castellina in Chianti
Saindo da escala cidade e entrando na escala edifícios públicos, museus, igrejas, palácios e outros monumentos, eu já posso falar com muito entusiasmo que fiquei impressionada com o acolhimento. Todos são acessíveis, dotados de rampas e/ou elevadores, e há total gratuidade para o deficiente e seu acompanhante, independentemente da sua nacionalidade ou idade. Também não é necessário enfrentar filas. Com hotéis, tivemos algumas surpresas desagradáveis… mesmo que estejam classificados como acessíveis, acho que vale enviar um e-mail (em letras garrafais) confirmando que de fato o hotel e o quarto são adaptados.
Nascimento de Vênus de Botticelli em altorelevo.

Outro ponto positivo para os museus são os percursos táteis para deficientes visuais. Desde 2009 o Uffizi conta com o projeto “Uffizi da Toccare“, com cerca de 20 obras entre esculturas e pinturas que podem ser descobertas com o toque de dedos e mãos e descrições em braile. Por enquanto são somente duas as obras de pintura transformadas em um painel de gesso para a leitura com o toque: o Nascimento de Vênus de Botticelli e a Pala de Santa Lucia de’ Magnoli de Domenico Veneziano. Outros museus que possuem percurso tátil são: Museu de Arte Moderna, Museu Nacional do Bargello, Museu de San Marco, Palazzo Davanzati, Jardim de Boboli e Cenáculo di Andrea del Sarto.

No Cenáculo de Andrea del Sarto estão expostos 4 quadros do Uffizi reproduzidos em gesso: Madonna del Cardellino de Rafael, Retrato do Duca de Urbino de Piero della Francesca, Retrato de Cosimo il Vecchio de Pontormo e Retrato de Jovem com Medalha de Boticelli.
Ainda entre as iniciativas para os deficientes visuais temos duas “maquetes” feitas em bronze que reproduzem a malha urbana e os edifícios de Florença com legenda em braile. Eles estão posicionados na Praça da República e na Via Guicciardini, próximo à Piazza Pitti.

Mapa Tátil na Piazza della Repubblica – fonte: www.uicifirenze.it

Entrando na questão transporte, a Trenitalia possui uma série de iniciativas para facilitar a viagem de pessoas com qualquer tipo de deficiência ou mesmo com dificuldades de locomoção por idade ou doença. A Carta Blu te permite comprar tickets com valores reduzidos e usufruir de gratuidade ou pagamento reduzido para o acompanhante. Os Posti Blu são acentos preferenciais para deficiente e acompanhante com modalidade especial de reserva e pagamento. Nas Sale Blu você encontrará todas as informações de assistência à pessoas com deficiência, poderá inclusive reservar o serviço gratuito de guia ao trem em partida ou em chegada, ou um carregador de malas.

Em Florença, todos os ônibus são dotados de sistema de plataforma e possuem lugar exclusivo com cinto de segurança. Para quem utiliza caro identificado com o símbolo de cadeirante, pode entrar na área de trafico limitado da ZTL e estacionar em vagas exclusivas identificadas com faixa amarela.
O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência foi instituído em 1981 para promover um maior conhecimento sobre os temas ligados à deficiência, para apoiar a plena inclusão de pessoas com deficiência e eliminar qualquer forma de descriminação e violência. 

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10 comentários

  1. Beatrizcomentou

    Olá, quero viajar com minha mãe que é deficiente. Ela não é cadeirante, mas anda com muleta e com mta dificuldade. Então queria saber se é possível visitar cidades como san gimignano, montalcino e montepulciano de carro (vou alugar um carro) e se há estacionamento perto das atrações. Sei que são cidades medievais, por vezes muradas, e sem acesso a carro, mas pode ser que tenha alguma parte visitável. Poderia me dar essa dica? Obrigada!

    1. Olá, Beatriz! Estas cidades que você citou – San Gimignano, Montalcino, Siena, Montepulciano – são cidades com forte desnível. O estacionamento nem sempre é próximo… Para pessoas com locomoção reduzida ou deficientes, meu conselho é de contratar o serviço de motorista, pois eles possuem permissão para entrar em algumas partes do centro histórico das cidades que geralmente para os carros alugados não é permitido. Além disso, pode deixá-las e buscá-las em pontos diferentes da cidade, facilitando e muito a visita de vocês. O Viva Toscana tem parceria com uma empresa profissional. Caso queira orçamento, por favor contatar por email informando datas e número de pessoas. Agradeço a visita ao blog e comentário! Baci

      1. Beatrizcomentou

        Muito obrigada pela dica! Era exaramente o que eu queria saber. Para que endereço eletrônico eu devo mandar email pedindo orçamento ? Obrigada !

      2. Oi, Beatriz! Fico feliz em saber que o artigo foi util para você! Entre em contato pela página “contato” que você encontra no menu. 😉 Bjos

  2. BEATRIZ SOBRAL TAVAREScomentou

    Boa tarde, você sabe me informar como conseguir o selo que identifica o carro como de deficiente? Vou alugar um carro e vou com minha mãe, que é deficiente. Gostaria de saber onde posso estacionar pela cidade ou se devo deixar o carro no hotel e andar de táxi. É fácil conseguir táxi em Florença? Você possui algum contato de motorista? obrigada!

  3. Sonya Maria Leandrini Ricuperocomentou

    Olá, estou em Florença e gostaria de saber se podem me indicar alguns bons restaurantes com acessibilidade, porá do centro histórico.
    Obrigada

    1. Olá, Sonya! Todos os lugares públicos na Itália são obrigados a ser acessíveis! Espero que vocês não encontrem dificuldades!

  4. Lurdes Pelarigocomentou

    Olá, Babi!
    Antes de mais, os meus parabéns pelo seu trabalho neste blog excelente. Vou passar 2 semanas em Itália, de 9 a 23 de agosto, e gostava que me desse algumas dicas, para ver se estarei a organizar bem a minha viagem: 3 dias em Roma + 3 dias em Vale D’Orcia (vale a pena ficar 3 dias em Siena e 3 em Florença, ou é preferível ficar apenas em Florença e fazer o giro?) e depois 3 em veneza e 3 em Milão. Vamos de avião para Roma e para o resto da viagem, depois de Roma, quero alugar um carro. Será que estou a pensar corretamente?
    Beijinho e obrigada.

    1. Olá, Lurdes! O roteiro depende daquilo que vocês tem mais interesse! Milão, por exemplo, se curtirem compras (moda e design), vale a pena ficar estes 3 dias, mas se pretendem visitar a parte histórico-artística, diria que 2 dias é o suficiente! Acrescentaria este dia extra a Roma, por exemplo. Em Florença e Toscana 6 dias está bom! Temos um novo serviço no Blog de Consultoria via whatsapp ou Skype. Ele consiste em um “bate-papo” de 1 hora para formatar a sua viagem, seguindo os seus interesses, partindo de uma ideia inicial de roteiro em aberto que vocês já possuem. Caso queiram mais informações sobre este serviço, me escreva por favor um email e já poderemos agendar: contato@vivatoscana.com.br Abraços!