Caterina de’ Medici – Gastronomia e Perfumaria na Corte Francesa

A Família Medici, soberana em Florença por 3 séculos, contou com diversos nomes de homens ilustres, financiadores e incentivadores das artes ou hábeis políticos e diplomatas. A primeira mulher grande protagonista dos Médicis foi Caterina, que se tornou rainha da França durante o século 16. Na história ela ficou conhecida com o apelido de “A Madama Serpente”, mas a verdade é que ela foi uma mulher brilhante, culta e refinada que influenciou a cultura francesa com diversas novidades trazidas de Florença. Em 2019 completam 500 anos de nascimento desta importante mulher e para comemorar a sua memória, preparei este artigo para que você conheça melhor Caterina de’ Medici!

Caterina de’ Medici

A vida de Caterina não foi fácil e seus primeiros dias de vida pareciam preanunciar todas as dificuldades que ela enfrentaria nos próximos anos. Sua mãe, Madeleine de la Tour d’Auvergne, morreu de febre puerperil após alguns dias do seu nascimento e o pai,  Lorenzo de’ Medici Duque de Urbino, também faleceu antes dela completar um mês de vida!

Quando tinha somente 8 anos e vivia em um convento de Florença, a Família Medici foi pela terceira vez expulsa da cidade e Caterina, como única Medici do ramo direto, foi feita refém pelos fiorentinos durante os quase 3 anos de guerra contra o exército francês aliado da Família Medici. Passada a turbulência em Florença, e com a vitória e retorno do poder aos Médicis, o Papa Clemente VII (Giulio de’ Medici), levou a sua sobrinha sob a sua proteção ao Vaticano e organizou um casamento muito conveniente com Enrico de Valois Duque d’Orleans, secundogênito de François I, Rei da França. Parecia o início de uma vida nova e melhor, mas não foi bem assim…

Caterina na Corte Francesa

Com apenas 14 anos, Caterina foi levada à corte francesa e encontrou um ambiente hostil. A sociedade francesa não aceitava a entrada na corte de uma burguesa, sem sangue azul. De fato, a riqueza e o poder dos Médicis provinha do comércio e de atividades banqueiras, mas não por origens nobres. Outro fator contra Caterina era a sua aparente infertilidade. Demorou 10 anos para dar o primeiro herdeiro ao marido que, no meio tempo, “substituiu” sua esposa na corte pela amante, obrigando Caterina a viver praticamente exiliada no Castelo de Chaumont.

Casamento de Caterina de’ Medici com Enrico de Valois, realizado pelo Papa Clemente VII em 1533

Rainha da França

Caterina se tornou Rainha da França após a morte do primogênito de François, e, em seguida ao falecimento do marido Enrico II, como rainha regente em nome de 3 filhos. Durante o seu reinado teve que enfrentar a guerra religiosa entre católicos e protestantes, conflito que durou mais de 10 anos e que Caterina tentou de todas as formas pacificar. Fez um Édito de liberdade de religião e até mesmo organizou um casamento “misto” entre sua filha católica e um príncipe protestante, mas a tentativa faliu, acendendo ainda mais o conflito.

Embora a história tradicional tenha sempre projetado uma sombra negra sobre a figura de Caterina, inventando ligações com a magia negra, preparação de venenos para satisfazer vinganças e seu ciúmes doentiu pelo marido, na verdade Caterina sempre agiu pelo bem da sua pátria adotiva, na tentativa de proteger a dinastia dos Valois e garantir o reinado dos seus fillhos. Foi uma mulher de forte caráter, pragmática ao mesmo tempo de cultura e inteligência refinada.

Uma das lendas sobre a “Rainha Negra” era que teria sido ela a mandante do “Massacre de San Bartolomeu” onde centenas de protestantes foram assassinados, e que ela teria caminhado pelos corpos sem vida para confirmar a sua ordem. Esta é uma pintura da segunda metade de 1800 que ajudava a propagar uma das tantas calúnias inventadas sobre a sua pessoa.

Gastronomia e Perfumaria

Caterina de’ Medici trouxe com sua mudança da Itália para a França não somente roupas, jóias e damas de companhia, mas também cozinheiros e perfumistas que influenciaram fortemente os costumes e a cultura francesa. Basta pensar na simples introdução do garfo à mesa. Até então, os franceses ainda comiam com as mãos.

Seus cozinheiros trouxeram de Florença receitas que hoje pensamos ser francesas, como o molho bechamel (salsa colla), o pato com laranja, sopa de cebola (carabaccia), o crepe (crespella alla fiorentina), omelette (fritata), entre outros.

“Nozze di Cana”, Paolo Veronese

Outra novidade trazida por Caterina foi a introdução do perfume. As principais cidades italianas já contavam com ao menos um frei responsável pela manipulação de ervas e flores para produzir perfumes que eram usados regularmente pela alta sociedade. Caterina levou consigo o seu mestre perfumista Renato Bianco que ensinou jovens aprendizes franceses esta arte que logo foi absorvida pelos franceses.

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4 comentários

  1. Margotcomentou

    Bem interessante, faltaram as fontes

    1. Oi, Margot! Eu sou guia de turismo oficial na Toscana, então o texto foi feito com base nas anotações das informações que me foram passadas nas aulas e visitas práticas e também nos livros que usamos de estudo, como, por exemplo, “I Medici – Storia di una dinastia europea” de Franco Cesati. Abraços e obrigada pela visita! 🙂

  2. Wagner Nascimento Batistacomentou

    Excelente … não conhecia a história de Caterina De´ Médici…. obrigado.