4 de Novembro: 50 Anos Enchente do Rio Arno

Florença é atravessada de leste a oeste pelo Arno, o rio que tanto gostamos de fotografar, que como um espelho reflete o céu e a arquitetura de suas pontes ou as cores quentes do pôr-do-sol… Este mesmo rio de tanta beleza, trouxe algumas vezes à Florença momentos de terror, destruição e morte. As enchentes mais lembradas aconteceram nos anos de 1333, 1557, 1844 e a mais recente e terrível delas, a de 1966, que neste ano completa 50 anos.

 

Piazza Duomo
Piazza Duomo

Era ainda madrugada naquela sexta-feira, 4 de Novembro, feriado nacional da vitória da Primeira Guerra Mundial, quando  os joalheiros do Ponte Vecchio foram avisados por um vigia noturno que deveriam esvaziar o quanto antes os cofres de suas lojas, pois o nível do rio subia rapidamente. Era comum que o mal tempo de novembro causasse enchentes de cerca meio metro em cidades banhadas pelo Rio Arno, e ninguém se preocupava com a insistente chuva dos últimos dias.

Ponte Vecchio depois que as águas começaram a baixar.
Ponte Vecchio depois que as águas começaram a baixar.

Antes das águas invadirem Florença, outras cidades já lutavam contra a força da enxurrada. À partir das cinco da manhã o Arno começa a transbordar pelos muros dos Lungarnos e a água invade suas ruas e praças, numa velocidade que chega a 60 Km/hora, levando tudo àquilo que via pela frente: carros, postes, móveis… Invade lojas, cafés, casas, igrejas, museus e bibliotecas, chegando à altura impressionante de 4,92 metros!

Piazza della Signoria
Piazza della Signoria

Somente dois dias depois a água foi completamente escoada e o que restou em Florença foi um amontoado de lama que marcava nos muros de seus palácios a altura que havia chegado a grande enchente. Um exército de voluntários da Toscana, Itália e outros 60 países chegaram para ajudar na limpeza e recuperação de Florença. Foram chamados de “Os Anjos da Lama”.

"Angeli del Fango"
“Angeli del Fango”

Embora devastadora e imprevisível, o número de mortes não foi tão alto: 17 pessoas em Florença e 18 na província. Em uma cidade tão rica culturalmente como Florença, impossível também não pensar nos danos materiais. A Porta do Paraíso do Batistério de Florença foi aberta violentamente com a força das águas, fazendo desprender quase todas as formas de Lorenzo Ghiberti. Livros e manuscritos preciosos da Biblioteca Nacional foram perdidos, os arquivos da Galleria degli Uffizi ainda hoje não foram completamente recuperados com o restauro. A obra símbolo desta enchente é o crucifixo de Cimabue que se encontrava no refeitório da Igreja de Santa Croce, e teve 80% da sua superfície pictórica perdida, hoje restaurado e exposto na Sacristia.

Piazza Santa Croce depois que a água escoou.
Piazza Santa Croce depois que a água escoou.

Em Florença, nos próximos dias, teremos diversos eventos, mostras e iniciativas para relembrar a tragédia de 1966:

4 NovembroLa Compagnia, Casa del Cinema della Toscana – às 15:30 “241 Km do Mar”, às 18:30 “Dopo l’Alluvione”, às 21:00 “Firenze, Novembre 66” e às 21:30 “Camminando sull’Acqua”

4-18 de NovembroPonte Vecchio – durante a noite, videomapping com fotografias do Arquivo Fotográfico Locchi contando o que aconteceu com a Ponte Vecchio em 1966.

1-13 de NovembroPalazzo Vecchio – mostra de arte contemporânea “Alfabeti Sommersi” com obras de Emilio Isgrò e Anselm Kiefer.

18 de NovembroLe Murate – Mostra fotográfica de Arno Minkkinen, Massimo Vitali e Jay Wolke.

Foi desenvolvida a app “Arno66-TimeTravel” que propõe um itinerário pelas ruas de Florença como estariam em 1966.

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5 comentários

  1. Janira dos Santos Lima Barbosacomentou

    Florença maravilhosa.

  2. KLEBER Alberto Nogueiracomentou

    Minha Florença inesquecível!!!

  3. MARIA DE FATIMA DOMINGUEScomentou

    Muito interessante saber sobre esses fatos antigos. Florença é maravilhosa. Amei em conhecê -la.

  4. Elisangelacomentou

    Existe um documentario que mostra a abertura dos tumulos da familia de Cosimo I. Abriram de Eleonora, do proprio Cosimo I, se seus filhos Francesco e Ferdinand e encontraram de algumas criancas. A area estava com lama seca e ainda úmida por baixo dos caixoes! O grande medo era como estariam as ossadas , mas por sorte estavam em boas condiçoes. Muito emocionante! Amo tudo sobre os Medicis

    1. Oi, Elisângela! Sim, verdade! Depois da enchente de 1966 eles exumaram os caixões do Mausoléu dos Medicis em Florença para recuperar e preservar o que a água suja havia invadido. Tem um livro inteiro sobre o assunto escrito pela Donatella Lippi e Marco Ferri. Chama-se “I Medici – La Dinastia dei Misteri”. Não sabia que também tinha o documentário! Bacana! 🙂