10 Motivos para Visitar a Basílica de Santa Croce

Morava em Florença já há anos quando pela primeira vez entrei na Basílica de Santa Croce. Não cometa o mesmo erro. Esta igreja é extremamente rica de arte e história, contém obras importantíssimas de artistas de várias épocas e é o túmulo de importantes personagens. Para que você não tenha dúvidas ao pagar os 6 euros de ingresso, te apresento 10 motivos para visitar a Basílica de Santa Croce de Florença:


1. Casa eterna de Italianos ilustres
Ao entrar na igreja, a primeira coisa que nos impressiona é a quantidade de tombas, tanto pelo chão quanto pelas paredes. São no total, 276 tombas! Aqui repousam personagens importantes que são geralmente o principal motivo da visita à igreja. O primeiro deles, Michelangelo Buonarroti, que na verdade morreu em Roma, mas foi trazido às escondidas pelo sobrinho Lionardo à pedido do grão-duque Cosimo I.

Michelangelo morre em 1564, mesmo ano que nasce outro gênio, só que em outro campo: Galileo Galilei, que por defender a teoria de que era a Terra a girar em torno ao Sol (e não ao contrário), foi julgado e condenado pela Santa Inquisição. Por este motivo, após sua morte, seu corpo foi abandonado fora da igreja por muitos anos até que finalmente em 1737 o último grão-duque da Família Medici resolve dar à Galileo um túmulo digno ao interno da igreja, de frente à Michelangelo.
Outros túmulos procurados pelos visitantes são o de Niccolò Macchiavelli, político e escritor que viveu entre os séculos 14 e 15, autor de “O Principe”, e Dante Alighieri, poeta medieval autor da obra-prima “A Divina Comedia”. Mas atenção! O monumento de Dante está vazio, pois ele está enterrado em Ravenna, onde de fato morreu em 1321.
Monumento à Dante Alighieri

Tumulo de Nicolô Macchiavelli
2.  Primeiras tombas humanistas
O equivalente do Renascimento na história é o Humanismo, quando o homem assume a centralidade do universo e é consciente da sua própria existência, dono do próprio destino. Enquanto que na Idade Média um homem laico podia ser enterrado somente na terra, no chão, à partir do Renascimento ele passa ser merecedor de um túmulo à parede, que antes era exclusivo de homens da igreja.
Esq. Túmulo de Leonardo Bruni – Dir. Túmmulo de Carlo Marsuppini
Na Igreja de Santa Croce encontramos os primeiros exemplos de “tombas humanistas”, que exaltam os valores que um homem cumpriu em vida. São elas: Leonardo Bruni, feito em 1450 por Bernardo Rosselino, e Carlo Marsupini, feito em 1455 por Desiderio da Settignano. Elas se encontram frente à frente no fim das naves laterais.
3. Artistas Importantes
Não deixe de reparar na Anunciação Cavalcanti do primeiro escultor renascentista, Donatello, feito com a pobre pedra serena enriquecida com aplicação de folha de ouro; e Túmulo de Vittorio Alfieri do principal escultor de época neoclássica, Antonio Canova; 
Anunciação Cavalcanti, Donatello

Túmulo de Vittorio Alfiere, Antonio Canova
4. Afrescos de Giotto e “Giottescos”
Giotto foi o mais importante artista de época medieval. Foi o primeiro a romper com a tradição bizantina e dar mais realismo à pintura com personagens mais humanos, com volumetria, sentimento, sensação de espaço e a introdução de elementos arquitetônicos e naturais. Ou seja, ele dá o primeiro passo em direção ao Renascimento que chegará de fato cerca de um século depois, em 1401. Ele irá influenciar toda a produção artística de 1300, seus seguidores são conhecidos como “giottescos”. 

Capela Bardi – Esquie de São Francisco de Assis
Na Igreja de Santa Croce, Giotto decorou duas capelas que se encontram à direita do altar: Capela Bardi, com histórias de São Francisco de Assis, e Capela Peruzzi, com histórias de São João Batista e Evangelista.
Capela Peruzzi, Banquete de Erodes
A maioria das demais capelas da igreja foram decoradas pelos “giottescos”. O principal deles foi Taddeo Gaddi, que afrescou a Capela Baroncelli com história da vida de Maria, enquanto que seu filho, Agnolo Gaddi afrescou a Capela Maior com histórias da Verdadeira Cruz.
5. Capela da Síndrome de Stendhal
Esta é uma reação psicossomática causada por obras de arte de extrema beleza, principalmente se concentradas em espaços pequenos. Não estou brincando, é real e foi descrita pela primeira vez em 1817 no livro “Firenze, Roma, Napoli” do escritor francês Stendhal que viveu esta experiência em primeira pessoa, adivinha onde? Sim, dentro da Basílica de Santa Croce, mais especificadamente na Capela Niccolini, no fim do transepto esquerdo.
6. Sacristia
Quando o corpo de Michelangelo foi trazido de Roma, ele inicialmente foi apoiado na grande mesa de madeira que vemos ao centro da Sacristia. Dizem que mesmo depois de dias da sua morte, seu corpo permanecia intacto.
Quando o Crussifixo de Cimabue foi recuperado das águas.
Não deixe de reparar na grande cruz em madeira que parece muito mal conservada. Ela é a maior testemunha da última grande enchente do Rio Arno, em 1966, que foi ainda mais trágica na zona da basílica de Santa Croce. A Cruz realizada por Cimabue em  1280 foi engolida pelas água, causando danos irreversíveis.
7. Scuola del cuoio
Ao redor da igreja de Santa Croce encontramos diversas lojas de couro. Este é um artesanato típico de Florença que surge já na Idade Média exatamente nesta área da cidade. A Scuola del Cuoio surgiu após a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de acolher os órfãos da guerra e ensiná-los uma ocupação. Ainda hoje é possível comprar e visitar os ateliers que produzem diversos acessórios em couro rigorosamente feitos à mão. A entrada fica entre a Sacristia e a Capela Medici.
8. Capela dos Pazzi
É um edifício à parte da igreja construído no Primeiro Claustro por Filippo Brunelleschi, o mesmo arquiteto da Cúpula do Duomo. A Família Pazzi era muito rica e influente no século 15, até o falimento da “Conjura dos Pazzi” que os levou ao exílio e morte. 
A arquitetura sóbria de Brunelleschi é amortizada pela decoração em terracotta invetriata de Luca della Robbia, com os 12 apóstolos e a cúpula ao ingresso que recentemente foi restaurada.
9. O primeiro Cenáculo
Embora o cenáculo mais famoso no mundo se encontre em Milão feito pelas mãos de Leonardo da Vinci, saiba que a tradição da representação da última ceia nasceu bem aqui, em Florença! E a mais antiga delas encontra-se na Igreja de Santa Croce, realizada em 1340 por Taddeo Gaddi.
Os Cenáculos decoravam os refeitórios de conventos e monastérios, convidando frades e monges a refletir sobre o momento da passagem da bíblia que ocorre exatamente durante a refeição.
10. Girolamo Segato
A morte pode ser muito irônica, como demonstra o epitáfio deste homem de ciência que viveu entre os séculos 18 e 19: 
“Aqui jaz Girolamo Segato da Belluno, 
que estaria inteiro petrificado 
se a sua arte não tivesse morrido com ele.”
Girolamo havia desenvolvido em vida uma técnica para petrificar órgãos e pedaços do corpo humano que jamais revelou à ninguém. 
Informações Gerais
Abertura: segunda à sábado, 9:30 às 17:30
                 domingo, 14:00 às 17:30
Ticket: 6 euros
Site: www.santacroceopera.it

Visita guiada

Para uma visita completa à Basílica de Santa Croce, com mais detalhes sobre cada obra, contrate o Viva Toscana! Nossa sugestão é de uma visita de 1 hora, guiada por uma guia turística oficial de Florença, brasileira. Preços à partir de 20 euros/pessoa.

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6 comentários

  1. Bom dia babi, conheci seu blog a pouco tempo e estou gostando muito, sei que este não é o post especifico pra minha pergunta, mas como é o mais atual resolvi fazer aqui mesmo. Pretendo ir pra Itália tirar minha cidadania num futuro próximo, mas gostaria de saber se vc pode me informar como funciona o processo pra ser policial ou militar das forças armadas italianas. São por meio de concurso como no Brasil? Saberia me informar qual o salario de um policial ou militar italiano? E como a sociedade italiana vê os policiais? Pois ser policial no Brasil é complicado, muito obrigado e continue com o excelente blog. Abraços.

  2. Parabéns pelo Blog. Muito rico em detalhes e imagens. Estive em Florença e não fui à Basílica. Com certeza irei na próxima oportunidade.

  3. Oi, Roberto! Que bom que consegui mostrar que vale à pena!!! Obrigada por deixar um comentário e pela visita! 🙂 Abraços!

  4. Anônimocomentou

    Bom dia!

    Adoro seu blog! Pena que conheci depois que fui a Florença!
    Abraços!

    Jane

  5. Oi, Jane!!! Que bom! Fico feliz em saber que está curtindo o blog mesmo depois da sua viagem!!! Obrigada pelo recadinho! 😉 Baci!

  6. Catarina Schumanncomentou

    Prezado Babi Campanaro
    Da última vez que estive em Florença, 2016, fiz questão de visitar essa basílica, justamente por abrigar o túmulo de Michelangelo, por quem tenho imensa admiração. Ali tive a oportunidade de agradecer ao gênio, o simples fato de ter existido e produzido tantos tesouros. Foi uma visita emocionada e inesquecível.